sexta-feira, 28 de setembro de 2018

XXI


Éramos vizinhos. Ele, aluno da pós-graduação. Eu, professora do curso de Letras. Ele queria continuar sendo o carona. Eu o ignorava. Sabia. Ele era o caminho mais curto para a loucura. Naquele dia, enlouqueci. O trânsito parava. Eu lhe falava com voz desconhecida. Ele me olhava entregue. Minha consciência estava em estado de choque. Não chegava até ela seus olhares de cordeiro imolado. Nunca soube como chegamos. Nem como aquele ano terminou. Alguns homens nasceram para serem sacrificados ao amor.

Lourença Lou



Paulo Bentancur A professora de Letras e o aluno na pós-graduação. Mas, muito mais que isso, "Eu lhe falava com voz desconhecida. Ele me olhava entregue." Embora a prosa enriquecida da série COISAS DE LOU, a poesia não se omite, e o aluno (a professora também) tomado de desejo é um "cordeiro imolado". A experiência da narradora domina a situação, embora se perca em plena consciência levada pela febre do impulso erótico. O desfecho é muito bom bom. Cadê mesmo o sexo frágil? As coisas mudaram de fato! Eis as última frase do miniconto/confissão: "Alguns homens nasceram para serem sacrificados ao amor." Verdade, algumas professoras não perdoam... Excepcional, Lourença Lou, amada, querida amiga, parceira, escritora multigêneros. Beijos de leitor zonzo.


L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...