Éramos vizinhos. Ele,
aluno da pós-graduação. Eu, professora do curso de Letras. Ele queria continuar
sendo o carona. Eu o ignorava. Sabia. Ele era o caminho mais curto para a
loucura. Naquele dia, enlouqueci. O trânsito parava. Eu lhe falava com voz
desconhecida. Ele me olhava entregue. Minha consciência estava em estado de
choque. Não chegava até ela seus olhares de cordeiro imolado. Nunca soube como chegamos. Nem como aquele ano terminou. Alguns
homens nasceram para serem sacrificados ao amor.
Lourença Lou
Paulo Bentancur A professora de
Letras e o aluno na pós-graduação. Mas, muito mais que isso, "Eu lhe
falava com voz desconhecida. Ele me olhava entregue." Embora a prosa
enriquecida da série COISAS DE LOU, a poesia não se omite, e o aluno (a
professora também) tomado de desejo é um
"cordeiro imolado". A experiência da narradora domina a situação,
embora se perca em plena consciência levada pela febre do impulso erótico. O
desfecho é muito bom bom. Cadê mesmo o sexo frágil? As coisas mudaram de fato!
Eis as última frase do miniconto/confissão: "Alguns homens nasceram para
serem sacrificados ao amor." Verdade, algumas professoras não perdoam...
Excepcional, Lourença Lou, amada, querida
amiga, parceira, escritora multigêneros. Beijos de leitor zonzo.