sexta-feira, 28 de setembro de 2018

XIX


Estava separada, carente e quase cruel. Dia sim, outro também, fomes gritavam em meu corpo e incendiavam minhas ambiguidades. Uma louca vontade de virar 'Donna das Camélias' amassava meus lençóis. Um medo incompreensível de morrer de inanição apavorava meu sono. Uma noite descobri: há tempos não comia um homem de fibra.

Lourença Lou


Paulo Bentancur COISAS DE LOU é um projeto literário dos mais interessantes. Ali a poeta consagrada descansa enquanto Lourença Lou - incansável - tece agora num novo gênero, a prosa. Mas, incorrigível poeta, com o lirismo amadureceu seu ritmo, seu fraseado. De tal modo que as breves histórias desta série deliciosa se impõem pela verdade humana que marca a personalidade da escritora, mas também pelo fluência de uma dicção que ela não perde nem quando narra. Aqui é bem um exemplo: em cinco linhas (cinco linhas, meu deus!), um miniconto pronto, e com desfecho do melhor humor - embora o fundo de natureza erótica. Não por outra razão, chamo, há mais de um ano, Lourença Lou de escritora-plural. Ela pulou a fronteira dos gêneros e, mais que experimentá-los, realiza com excelência cada um deles. Beijos, queridíssima amiga, parceira e tanto, admiradaLou.falando. A crônica, aliás, é o gênero da convivência. A foto confirma tudo isso. Bonito demais, queridíssima Lou!

L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...