Os últimos anos não haviam sido fáceis. Toda
vontade de ser sociável se evaporara. Eu era uma fera solitária, rebelde e
pronta para atacar. Mas já acabara o tempo das rosas e dos fusis. Meus heróis
já não existiam, estava grávida e não queria me casar. A gravidez terminou aos
dois meses em meio a um lago de sangue e meu olhar entre apavorado e aliviado.
Foi quando conheci a mãe dele. Eu sempre quis ter uma mãe. Me casei com ela
muito antes de acordar para a realidade: vinha junto um companheiro de
todos os dias. E ele foi tão maravilhoso que me ensinou a sonhar. E levou a
vida a me adotar.
Lourença Lou
Lourença Lou
Paulo Bentancur Maravilha de texto,
quase um poema em prosa, misto de conficção liricizada. Continuo em Brasília, Lou! Volto no domingo. Saudade das pessoas e
nenhuma do frio. Beijo!