Todas as tardes as
crianças brincavam na rua. Era rouba-bandeira, pique-esconde, queimada e o que
mais inventassem. Eu ficava olhando de uma das muitas janelas do casarão da
minha avó. Nunca me chamavam. Perguntava à minha avó a razão. Ela não
respondia. Sempre me dava algum livro pra ler. Um dia, desci a escadaria e pedi
pra brincar. – Não. Seu avô é preto. – E o que tem isso? Uma delas me
respondeu: – Meu pai proibiu. Disse que preto quando não suja na entrada, suja
na saída. Naquele dia percebi que minha avó era branca e meu avô era negro. E
que fora da minha casa, negros eram tratados diferente de brancos.
Lourença Lou
Lourença Lou
Paulo Bentancur Me fizeste chorar,
sobretudo pela frase de desfecho. Miniconto por demais comovente. Humanidade
FDP! Tua lírica, mesmo em prosa, deixa a gente zonzo. Beijo, poeta querida Lourença Lou!