quarta-feira, 26 de setembro de 2018

IX


Todas as tardes as crianças brincavam na rua. Era rouba-bandeira, pique-esconde, queimada e o que mais inventassem. Eu ficava olhando de uma das muitas janelas do casarão da minha avó. Nunca me chamavam. Perguntava à minha avó a razão. Ela não respondia. Sempre me dava algum livro pra ler. Um dia, desci a escadaria e pedi pra brincar. – Não. Seu avô é preto. – E o que tem isso? Uma delas me respondeu: – Meu pai proibiu. Disse que preto quando não suja na entrada, suja na saída. Naquele dia percebi que minha avó era branca e meu avô era negro. E que fora da minha casa, negros eram tratados diferente de brancos. 

Lourença Lou


Paulo Bentancur Me fizeste chorar, sobretudo pela frase de desfecho. Miniconto por demais comovente. Humanidade FDP! Tua lírica, mesmo em prosa, deixa a gente zonzo. Beijo, poeta querida Lourença Lou!

L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...