” não presto
nunca prestei para ser em série”
nunca prestei para ser em série”
Sempre quis escrever um poema que começasse assim. Esta foi a minha realidade desde os
doze anos quando tive que inventar caminhos para mim e para meus irmãos. Foi
quando descobri que ser em série era mais cômodo, mas infinitamente menos
interessante. Desde então, sou chocolate com pimenta. Destes que são adorados
até que sejam provados. Porque é preciso amar para suportar o ardor.
Lourença Lou
Lourença Lou
Paulo Bentancur A série impagável,
deliciosa (mesmo com pimenta perturbando o chocolate), COISAS DE LOU, chega no
XII minicapítulo, num tom inovador, desconcertante, tecido numa prosa não só
fluente, mas sintética e, por isso, contundente, sempre com uma surpresa na
manga. Neste episódio, Lourença Lou expõe sua
singularidade a partir de um poema escrito em seus verdejantes anos (baseado na
realidade desafiadora dos doze). A poeta, além do talento artístico indomável -
daí poeta-surpresa, poeta-plural -, é uma presença humana admirável pela
personalidade única, que não negocia, que não abre mão de sua trajetória, e nem
por isso busca agredir seu público, seus amigos, com a obra e a performance que
cria diariamente dotados de uma intensidade daquelas de fazerem o
leitor/parceiro/amigo tropeçar. Lourença Lou será a primeira a
estender a mão para ajudar a lenvantá-los. Não faz por mal. Sua coragem e
desafio aos limites da expressão filosófica da vida, seu jogo perigoso em meio
à realidade dos costumes - tudo isso é a alma de Lourença Lou, que se atordoa, encanta com a
mesma força. Muda-nos o olhar o nosso próprio mundo. Criadora honesta e dotada
de uma força inesperada. Até os sustos que provoca recebem de quem a lê a
comoção afetuosa da necessidade de um cumprimento da mais plena admiração, de
um abraço e um beijo daquele que, a partir de suas criações, não disfarça a
profunda sedução estética, o coração batendo a mil não se omitindo a dar seu
comentário diante de tanta beleza e verdade humanas. Eu reconheço emLou uma artista
praticante da multiplicidade - e da vida mais reveladora. Beijos, querida