quarta-feira, 26 de setembro de 2018

VII


não presto
nunca prestei para ser em série”
Sempre quis escrever um poema que começasse assim. Esta foi a minha realidade desde os doze anos quando tive que inventar caminhos para mim e para meus irmãos. Foi quando descobri que ser em série era mais cômodo, mas infinitamente menos interessante. Desde então, sou chocolate com pimenta. Destes que são adorados até que sejam provados. Porque é preciso amar para suportar o ardor.

Lourença Lou



Paulo Bentancur A série impagável, deliciosa (mesmo com pimenta perturbando o chocolate), COISAS DE LOU, chega no XII minicapítulo, num tom inovador, desconcertante, tecido numa prosa não só fluente, mas sintética e, por isso, contundente, sempre com uma surpresa na manga. Neste episódio, Lourença Lou expõe sua singularidade a partir de um poema escrito em seus verdejantes anos (baseado na realidade desafiadora dos doze). A poeta, além do talento artístico indomável - daí poeta-surpresa, poeta-plural -, é uma presença humana admirável pela personalidade única, que não negocia, que não abre mão de sua trajetória, e nem por isso busca agredir seu público, seus amigos, com a obra e a performance que cria diariamente dotados de uma intensidade daquelas de fazerem o leitor/parceiro/amigo tropeçar. Lourença Lou será a primeira a estender a mão para ajudar a lenvantá-los. Não faz por mal. Sua coragem e desafio aos limites da expressão filosófica da vida, seu jogo perigoso em meio à realidade dos costumes - tudo isso é a alma de Lourença Lou, que se atordoa, encanta com a mesma força. Muda-nos o olhar o nosso próprio mundo. Criadora honesta e dotada de uma força inesperada. Até os sustos que provoca recebem de quem a lê a comoção afetuosa da necessidade de um cumprimento da mais plena admiração, de um abraço e um beijo daquele que, a partir de suas criações, não disfarça a profunda sedução estética, o coração batendo a mil não se omitindo a dar seu comentário diante de tanta beleza e verdade humanas. Eu reconheço emLou uma artista praticante da multiplicidade - e da vida mais reveladora. Beijos, querida

L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...