Ele morava em São
Conrado, eu em Santa Tereza. Ele era um playboyzinho da classe média alta. Eu,
uma bolsista Universidade. Ele surfista, solteiro e cheio de garotas de praia
ao seu redor. Eu estava no início de um casamento que sofria de solidões
plantadas entre Rio, BH e Porto Trombetas. Não tínhamos nada em comum, só
aquela coisa maluca que nos dava por dentro e nos arrastava um para o outro –
apesar da imensidão do campus, apesar da imensidão das diferenças. Ele
insistia. Eu resistia. Ele era tudo o que eu combatia. Um dia me surpreendeu:
trouxe seu sorriso de leãozinho, aquele corpo de sol e duas passagens para o
amor. Não resisti. Nunca tinha entrado num avião.
Lourença Lou
Paulo Bentancur COISAS DE LOU já
está no XV minicapítulo. Para o meu gosto, um dos melhores. Disparado. A frase
final, genial, Lourença Lou. Parabéns e um beijo de uma
grande admiração.