quinta-feira, 27 de setembro de 2018

XV


Ele morava em São Conrado, eu em Santa Tereza. Ele era um playboyzinho da classe média alta. Eu, uma bolsista Universidade. Ele surfista, solteiro e cheio de garotas de praia ao seu redor. Eu estava no início de um casamento que sofria de solidões plantadas entre Rio, BH e Porto Trombetas. Não tínhamos nada em comum, só aquela coisa maluca que nos dava por dentro e nos arrastava um para o outro – apesar da imensidão do campus, apesar da imensidão das diferenças. Ele insistia. Eu resistia. Ele era tudo o que eu combatia. Um dia me surpreendeu: trouxe seu sorriso de leãozinho, aquele corpo de sol e duas passagens para o amor. Não resisti. Nunca tinha entrado num avião.

Lourença Lou



Paulo Bentancur COISAS DE LOU já está no XV minicapítulo. Para o meu gosto, um dos melhores. Disparado. A frase final, genial, Lourença Lou. Parabéns e um beijo de uma grande admiração.

L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...