Antes dos quarenta anos, fui eleita presidente de uma cooperativa
educacional. Começaram meus doces problemas e as transformações na minha vida.
Parece besteira, mas trocar o patchouli, sandálias de couro e roupas indianas
de riponga por saltos, elegantíssimas saias justas (indiscretíssimas ao me
sentar) e ares de executiva fizeram muita diferença. Além disso, entre as
funções inerentes à direção de uma escola, havia a necessidade de marketing:
vendíamos uma ideia nova, uma nova concepção de educação. Eram viagens,
palestras, entrevistas televisivas, consultoria no Sebrae e o que mais
aparecesse. Vinte e quatro horas eram insuficientes para o meu dia. Marido e
filhos eram sombras em minha vida. Meu ego seguia mudando o foco das minhas
prioridades e eu adorando os holofotes. Foi quando sofri o golpe mais forte e
mais profundo entre tantos outros que já havia vivido.
Lourença Lou
Paulo Bentancur E depois dizes que
não és boa com finais! ÉS ÓTIMA! O desta crônica é demais, o coração da gente
dá pulos. Vívido e emocionante,Lourença Lou, escritora plural
querida. Beijos!