quinta-feira, 27 de setembro de 2018

XIV


Antes dos quarenta anos, fui eleita presidente de uma cooperativa educacional. Começaram meus doces problemas e as transformações na minha vida. Parece besteira, mas trocar o patchouli, sandálias de couro e roupas indianas de riponga por saltos, elegantíssimas saias justas (indiscretíssimas ao me sentar) e ares de executiva fizeram muita diferença. Além disso, entre as funções inerentes à direção de uma escola, havia a necessidade de marketing: vendíamos uma ideia nova, uma nova concepção de educação. Eram viagens, palestras, entrevistas televisivas, consultoria no Sebrae e o que mais aparecesse. Vinte e quatro horas eram insuficientes para o meu dia. Marido e filhos eram sombras em minha vida. Meu ego seguia mudando o foco das minhas prioridades e eu adorando os holofotes. Foi quando sofri o golpe mais forte e mais profundo entre tantos outros que já havia vivido.

Lourença Lou



Paulo Bentancur E depois dizes que não és boa com finais! ÉS ÓTIMA! O desta crônica é demais, o coração da gente dá pulos. Vívido e emocionante,Lourença Lou, escritora plural querida. Beijos!

L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...