– Puxa, como você é dura!
– Sou.
– E diz isso assim?
– Melhor que ficar me justificando.
– Mas você sabe o quanto te gosto.
– Vamos acabar com isto? Você não gosta de mim. Gosta da minha admiração. Gosta que eu te goste. Eu e o mundo.
Algum tempo depois nos reencontramos. Estava com cara de menino faminto e os lábios cor de sangue. Não precisei perguntar. Continuava o mesmo vampiro de sempre. Que vergonha olhá-lo e lembrar que o amei. Que alívio sentir vergonha e nada mais.
Lourença Lou
– Sou.
– E diz isso assim?
– Melhor que ficar me justificando.
– Mas você sabe o quanto te gosto.
– Vamos acabar com isto? Você não gosta de mim. Gosta da minha admiração. Gosta que eu te goste. Eu e o mundo.
Algum tempo depois nos reencontramos. Estava com cara de menino faminto e os lábios cor de sangue. Não precisei perguntar. Continuava o mesmo vampiro de sempre. Que vergonha olhá-lo e lembrar que o amei. Que alívio sentir vergonha e nada mais.
Lourença Lou
Paulo Bentancur Fantástico episódio da série contundente,
irresistível, COISAS DE LOU, já em seu episódio XIX. A protagonista, em todas
as situações, por mais incômodas, delicadas, abusivas, sabe se defender com um
poder de decisão, uma força movida a dignidade, que não é mole encontrar nem no
varejo nem no atacado. Não bastasse a situação de rompimento que ela toma com
um coração maduro e uma inteligência ligadíssima, tem a agilidade da prosa de Lourença Lou, uma das mais bem escritas que
tenho lido ultimamente (tanta síntese com tanta situação costurada). Um dos
grandes projetos literários - ainda que corajosamente autobiográficos - que
tenho lido nos últimos dois, três anos. Um esforço enorme, para quem faz o
comentário, não enchê-lo de adjetivos qualificativos. A série parece melhorar
mais e mais a cada dia. Beijos de carinho e admiração, Lou. E um bom começo de semana.