quarta-feira, 26 de setembro de 2018

XII


– Puxa, como você é dura! 
– Sou.
– E diz isso assim? 
– Melhor que ficar me justificando.
– Mas você sabe o quanto te gosto. 
– Vamos acabar com isto? Você não gosta de mim. Gosta da minha admiração. Gosta que eu te goste. Eu e o mundo.
Algum tempo depois nos reencontramos. Estava com cara de menino faminto e os lábios cor de sangue. Não precisei perguntar. Continuava o mesmo vampiro de sempre. Que vergonha olhá-lo e lembrar que o amei. Que alívio sentir vergonha e nada mais.


Lourença Lou



Paulo Bentancur Fantástico episódio da série contundente, irresistível, COISAS DE LOU, já em seu episódio XIX. A protagonista, em todas as situações, por mais incômodas, delicadas, abusivas, sabe se defender com um poder de decisão, uma força movida a dignidade, que não é mole encontrar nem no varejo nem no atacado. Não bastasse a situação de rompimento que ela toma com um coração maduro e uma inteligência ligadíssima, tem a agilidade da prosa de Lourença Lou, uma das mais bem escritas que tenho lido ultimamente (tanta síntese com tanta situação costurada). Um dos grandes projetos literários - ainda que corajosamente autobiográficos - que tenho lido nos últimos dois, três anos. Um esforço enorme, para quem faz o comentário, não enchê-lo de adjetivos qualificativos. A série parece melhorar mais e mais a cada dia. Beijos de carinho e admiração, Lou. E um bom começo de semana.

L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...