quarta-feira, 26 de setembro de 2018

V


Todos os dias ela estava ali, na saída do campus - cabelos longos encaracolados, shorts ou saias daquele tamanho indecentemente lindo, óculos quase sensuais. Todos os dias eu me perguntava por que não lhe dava carona. Ela fazia aflorar a minha crueldade. Meu irmão, meu namorado, meus amigos viviam olhando-a daquele jeito guloso e ela com aquela cara de alienada. Decididamente eu não gostava dela. Resolvi esquecer que ela morava no prédio ao lado. Nem sofri.


Lourença Lou






Paulo Bentancur Raro é um miniconto como este. Explora com "branda" linguagem e estilo "o lado cruel de todos nós". Bem, se a mulher que falas era parecida com a da imagem, risos, eu afirmaria que não tenho lado cruel. Mas te compreendo poeta. É uma rival das mais demolidoras. Lourença Lou, querida, andas arrasando nos minicontos, inclusive mudando a forma de estruturá-los. Falo de COISAS DE LOU, já vai pensando num outro livro do gênero. Apenas desfaz o sentido autobiográfico (ou talvez não). O importante é que claramente a série mostra a sua cara, a sua bela carinha. Carinho,Lou. Beijos

L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...