Todos os dias ela
estava ali, na saída do campus - cabelos longos encaracolados, shorts ou saias
daquele tamanho indecentemente lindo, óculos quase sensuais. Todos os dias eu
me perguntava por que não lhe dava carona. Ela fazia aflorar a minha crueldade.
Meu irmão, meu namorado, meus amigos viviam olhando-a daquele jeito guloso e
ela com aquela cara de alienada. Decididamente eu não gostava dela. Resolvi
esquecer que ela morava no prédio ao lado. Nem sofri.
Lourença Lou
Paulo Bentancur Raro é um miniconto como este. Explora com
"branda" linguagem e estilo "o lado cruel de todos nós".
Bem, se a mulher que falas era parecida com a da imagem, risos, eu afirmaria
que não tenho lado cruel. Mas te compreendo poeta. É uma rival das mais
demolidoras. Lourença Lou, querida, andas arrasando nos
minicontos, inclusive mudando a forma de estruturá-los. Falo de COISAS DE LOU,
já vai pensando num outro livro do gênero. Apenas desfaz o sentido
autobiográfico (ou talvez não). O importante é que claramente a série mostra a
sua cara, a sua bela carinha. Carinho,Lou. Beijos