quarta-feira, 26 de setembro de 2018

III


Podia escolher qualquer dos meus colegas altos, bonitos e inteligentes. Estava longe de ser a mais bonita da turma, mas sem dúvida era das mais interessantes. Lia Dostoiévski, Realidade, Clarice, O Pasquim e me orgulhava disso. E o escolhi. Ele era o professor de matemática – a matéria que eu mais detestava. Foi escolha de paixão. E foi lindo tê-lo e me dar a ele. Mas durou o tempo daquele primeiro ano do científico. Antes de começarem as férias eu já estava com outros interesses. Queria alguém que topasse andar de mãos dadas na escola, apostar corrida de bicicleta na Praça da Liberdade e radicalizar de skate no Parque Municipal. A menina estava só ensaiando ser mulher.


Lourença Lou



Paulo Bentancur  Impressiona a forma descolada como Lourença Lou narra seu crescimento, sua adolescência - a menina virando mulher. E o texto igualmente bonito. Beijo, querida.

L

Não gostava de garotos. Andava sobre saltos e achava que homens maduros eram os grandes parceiros. Aquele menino subverteu meus conceitos ...