Podia escolher
qualquer dos meus colegas altos, bonitos e inteligentes. Estava longe de ser a
mais bonita da turma, mas sem dúvida era das mais interessantes. Lia
Dostoiévski, Realidade, Clarice, O Pasquim e me orgulhava disso. E o escolhi. Ele era o professor de matemática – a
matéria que eu mais detestava. Foi escolha de
paixão. E foi lindo tê-lo e me dar a ele. Mas durou o tempo daquele primeiro
ano do científico. Antes de começarem as férias eu já estava com outros
interesses. Queria alguém que topasse andar de mãos dadas na escola, apostar
corrida de bicicleta na Praça da Liberdade e radicalizar de skate no Parque
Municipal. A menina estava só ensaiando ser mulher.
Lourença Lou
Paulo Bentancur Impressiona a forma
descolada como Lourença Lou narra seu
crescimento, sua adolescência - a menina virando mulher. E o texto igualmente
bonito. Beijo, querida.